Que você venha para irmos aonde poucos conseguiram chegar
Que a gente não desista no primeiro obstáculo
Que o amor nunca nos cause medo
Que o sonho que nos é comum
Seja combustível para nossa felicidade.

Tenho tido muita dificuldade em encontrar bom filmes sobre o tema HIV/AIDS, filme que não envolvam pessoas drogadas, incosequentes e que sempre morrem no final. Breaking the Surface traz uma leitura muito diferente sobre o tema, mais real, talvez por ser um filme biográfico. Greg Louganis descobriu a doença na década de 80, quando ainda existiam muitos mitos sobre o assunto, os portadores eram tratados como aberrações e recebiam uma sentença de morte ao receberem o diagnóstico. Greg não era usuário de drogas e ainda estava no auge de sua vida profissional quando se descobriu soropositivo, apesar dos altos índices de morte de pessoas como ele, ele não desistiu, competindo e vencendo em mais uma Olimpíada em 1988 mesmo após a descoberta. Tudo indica que ele adquiriu o vírus durante o relacionamento de 6 anos com o empresário e mesmo assim fez um pacto com o então parceiro de que não se deixariam morrer sozinhos, mesmo que todos, amigos, família e empresário o alertassem do perigo que o jovem corria. O filme mostra alguns conceitos errados que até hoje são disseminados sobre hiv, como uma cena que o rapaz se fere na piscina e fica com medo de infectar os outros nadadores. O que facilitou que o rapaz enfrentasse a doença e não deixasse de viver foi a boa relação que ele teve com as pessoas ao seu redor sobre o assunto, se abrindo com a família (inclusive o pai), sua melhor amiga e seu treinador, se sabe que muitos ao descobrirem o hiv preferem se isolar e não falar sobre a sua condição com as pessoas ao seu redor com medo da reação dessas pessoas, Louganis não se abalou nem com a morte do empresário, a essa altura já seu ex companheiro, vítima da doença. Outro aspecto que merece destaque em sua história é o relacionamento que o rapaz tinha com o empresário, muitas pessoas perdem o controle de sua vida, entregando-o a pessoa com quem estão se relacionando, Greg quase perdeu o controle mas conseguiu enxergar a verdadeira relação a que estava submetido a tempo. Nunca é demais destacar que qualquer relacionamento é uma soma de duas vidas diferentes, com alguns ajustes é claro, mas esses ajustes não podem fazer com que nenhum dos dois lados se anule e deixe de ter voz ativa.
"Eu não posso deixar que ninguém saiba que eu não sou hétero. Isso seria tão humilhante. Meus amigos iriam me odiar, com certeza. Eles poderiam até me bater. Na minha família, já ouvi várias vezes eles falando que odeiam os gays, que Deus odeia os gays também. Isso realmente me apavora quando escuto minha família falando desse jeito, porque eles estão realmente falando de mim... Às vezes eu gostaria de desaparecer da face da Terra”( depoimento real escrito pelo garoto em 1975 enquanto ainda tinha 16 anos). Verdadeiramente uma obra-prima um filme que toca aos que o assistem, talvez uma história que proporcione uma uma reflexão que mude todos os seus conceitos, não apenas para familiares e pessoas preconceituosas, mas para o próprio publico gay, que em grande parte vive com a condenação imposta de que não será aceito por Deus.
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