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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Meu amor da infância.

Queria que seu amor fosse o meu amor de infância
Puro, ingênuo, sem as malícias que a vida nos ensinou a ter.

Queria que ao lembrar de você 
Nada além de doces e travessuras viesse a minha cabeça.

Queria ter um lápis já no fim do grafite
Pra desenhar seu nome no meu coração 
E dali você não sairia,
Cercado e protegido pelas linhas tortas 
Do meu amor verde-limão.

Queria te dar de presente um anel vindo em um caramelo
E te oferecer a lealdade de um melhor amigo.

Que seu estalinho em baixo do pé de goiaba
Fosse mais gostoso que doce-de-leite na colher
E mais intrigante que as pílulas de encolhimento do Chapolin.

Que as nossas brigas fossem mera questão
De decidir entre o ursinho Teddy e o gato malhado
Para ser nosso filho do meio.

O nosso amor deveria ser assim 
Intenso, sincero e malcriado
Como só duas crianças conseguem ser.

Diansley Raphael


domingo, 17 de junho de 2012

Em harmonia com o Acusador.

 Freud o definiu como superego, a religião o definiu como diabo ( diabolos, do grego "o que fala contra") já Jung o definiu na sua essência como a voz interior que não é a consciência propriamente dita, pois consciência está relacionada a atitudes coerentes livres de julgamentos e das amarras de qualquer modelo mental, a definição mais correta para essa voz diabólica que chega em momentos de escolhas, conflitos e sentimentos de inércia usada por Jung foi o Acusador. Todos temos essa voz interior que nos limita e nos puxa para baixo, quando poderíamos ir muito mais além dos limites de nosso ego.

 O ego aliás, é quem determina nossa culpa, que diz o que somos ou não capazes de realizar, qual o máximo de nosso potencial, o ego expande o nosso modelo mental a ponto de criarmos padrões para nossos relacionamentos, vida social, financeira e capacidade mental. Nossas experiências de vida podem no máximo, serem usadas para reflexão, onde erramos, o que faltou ser feito para evitar a frustração e conquistar os objetivos almejados. Temos a mania de julgar os acontecimentos de hoje baseados no sempre passado, a relação que nossas mães têm com nossos pais por exemplo, por mais que digamos sermos totalmente independente de pensamento, determina qual o padrão de pessoas que devem entrar e permanecer em nossas vidas, se um acontecimento hoje é familiar ao nosso modelo mental, o decíframos erroneamente, ao invés de analisa-lo em sua essência. Todo esse sentimento de prejugarmos pessoas, acontecimentos e a nos mesmos, é basicamente o acusador fazendo o que ele faz de melhor: dizer qual é o seu melhor e até onde você consegue ir.

 Se livrar do acusador é tarefa difícil, considerando que ele está em nossa essência, mas conviver com ele pacificamente é o passo inicial para reconhecermos os conflitos que estão muitos mais enraizados a como aprendemos a pensar do que a qualquer percepção racional. O acusador nos impede de evoluir enquanto pessoas, pois para mim, isso está muito mais ligado a plenitude de vivenciar o hoje do que imaginamos. O hoje livre das culpas e experiências passadas e anteriores a nossa existência, nos permite enxergar situações difíceis e momentos de impasse com muito mais serenidade mas acima de tudo faz com entendamos que estamos em um processo adaptativo constante, o que o acusador te mostra como uma cilada, como algo do qual você deve fugir, como o fundo do posso, a consciência racional te mostra como uma possibilidade de evolução. Estar em um conflito ou se sentir inerte no fluxo da vida é o pontapé para as mudanças necessárias quando o acusador deixa de protagonizar os nossos pensamentos.


 " O crítico interior pode nos debilitar. Devemos aprender a reconhecer esse inimigo, já que o reconhecimento é o primeiro passo para nos impedir que esse adversário nos paralise. Cada um possui  um Acusador com uma personalidade específica e uma forma específica de enviar uma mensagem desencorajadora. Se não reconhecermos o Acusador, nossos sentimentos de culpa, vergonha ou inadequação serão vagos ou indiferenciados. Eles se tornam meramente "quem somos nós", em vez da voz de um intruso que não nos ajuda em nada. " 

Timothy Butler no livro "Como Sair do Impasse.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Mundo gay X velhice.

Quando se decide assumir uma identidade, deve-se estar preparado para adaptar a sua vida caso a sua identidade envolva seguir parâmetros fora dos estabelecidos pela sociedade, estou me referindo a se assumir enquanto gay pois é muito fácil viver uma vida baseada somente no agora e não se importar com o amanhã. O agora para quem é jovem é algo muitas vezes glorioso, peitar a família e a sociedade enquanto se tem 20 ou 30 anos é muito fácil já que estamos no auge de nossa beleza e saúde. Porém para um gay, o verdadeiro desafio começa com o passar dos anos. Nesse mundo existe a cultura do desapego, já que não existe filhos para manter um casamento ou uma imagem a ser quebrada com uma separação que impede muitos casais héteros de se separarem já que a sociedade, que ainda é muito preconceituosa, não espera nenhum futuro promissor de um casal gay, então não há imagem a ser mantida. Na minha opinião para os gays o maior desafio, não é manter as aparências mas sim quebrar esses conceitos que sempre foram disseminados, não estou dizendo que no mundo hétero não haja muita sujeira debaixo do tapete, mas um lado positivo dessa necessidade que casais héteros tem de manter um relacionamento, seja pelos filhos, por amor passional, ou por pura questão de aparências, pode ter um lado positivo, isso os força a enfrentar os problemas da vida a dois que sempre existirão. Sou contra qualquer tipo de anulação pessoal, violência física ou moral, machismo ou traição no casamento, mas acredito que quando ainda há algum sentimento e respeito mútuo os problemas devem ser superados a dois. No mundo gay, muito provavelmente pela liberdade associada a ele, não há esse hábito de solucionar os problemas a dois, e talvez a consequência disso só será percebida na velhice, e é aí que quero chegar, pois nessa faze é que as pessoas sofrem mais com a solidão, você pode ter tido uma vida profissional de sucesso, pode ter cultivado muitos amigos, pode ter juntado muito dinheiro, mas nada disso terá sentido se não houver uma pessoa que possa tomar conta de você e você dessa pessoa.
Peitar o mundo aos 20 quando tudo conspira a seu favor é muito fácil, se o companheiro se afasta, nessa faze muitas pessoas preferem encarar isso como justificativa pra uma boa escapada, se ele não quer mais o relacionamento essas pessoas não correm atrás porque aprenderam que a fila anda. A fila anda por um bom tempo, mas aí ela para, só então essas pessoas aprendem que tudo poderia ter sido evitado com um diálogo. Normalmente a pessoa que permanecer ao seu lado, quando sua pele já não for mais firme, seu sexo já não for o mesmo e seu corpo já não atrair os olhares de todos, essa sim será a pessoa que verdadeiramente te ama. Espero que o mundo gay um dia entenda que nem tudo na vida é apenas uma boa farra, e que amar significa ceder em muitos aspectos, até mesmo ignorando as próprias necessidades,no final tudo acaba fazendo sentido... e espero também que isso não seja percebido quando for tarde demais.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O que significa amar verdadeiramente uma pessoa?

Houve um tempo em que eu achava saber a resposta: significa que eu iria pensar em Savannah mais do que em mim mesmo, e passaríamos o resto de nossas vidas juntos. Não seria difícil. Ela me disse certa vez que a chave para a felicidade é ter sonhos realizáveis, e os dela não eram nada fora do comum. Casamento, família... o básico. Isso significa que eu teria um emprego estável, uma casa com cerca branca e uma minivan ou SUV grande o suficiente para levar nossos filhos à escola, ao dentista, ao treino de futebol ou aos recitais de piano. Dois ou três filhos – ela nunca foi clara a respeito, mas meu palpite é que quando chegasse a hora, ela deixaria a natureza seguir seu curso e Deus tomar a decisão. Ela era assim – religiosa, quero dizer – e suponho que esse tenha sido um dos motivos pelos quais me apaixonei por ela. Independentemente do que acontecesse em nossas vidas, eu me imaginava ao fim do dia deitado na cama ao lado dela, nós dois abraçados enquanto conversávamos e ríamos, perdidos nos braços um do outro.
Não parece tão absurdo, certo? Quando duas pessoas se amam? Foi também o que pensei. E, enquanto uma parte de mim ainda quer acreditar que isso seja possível, sei que não vai acontecer. Quando eu for embora de novo, nunca mais vou voltar.
Por enquanto, porém, vou sentar-me na encosta que dá vistas à fazenda e esperar que ela apareça. Ela não vai me ver, é claro. No exército, você aprende a se misturar com a paisagem, e eu aprendi muito bem, pois não quero morrer em uma vala estrangeira no meio do deserto iraquiano. No entanto, tive de voltar a esta cidadezinha montanhosa na Carolina do Norte para descobrir o que aconteceu. Quando alguém termina algo mal resolvido, sente um desconforto, quase uma dor, até descobrir a verdade.
Porém, estou certo de uma coisa: Savannah nunca saberá que estive aqui hoje.
Parte de mim dói ao pensar que ela está tão perto e eu não posso tocá-la, mas nossas histórias seguiram caminhos diferentes. Não foi fácil aceitar essa verdade simples, pois houve um tempo em que nossas histórias eram uma só, mas isso aconteceu seis anos e duas vidas atrás. Nós dois temos lembranças, é claro, mas aprendi que as memórias podem ter uma presença física, quase viva, e nisso Savannah e eu também somos diferentes. Enquanto as lembranças dela são estrelas no céu noturno, as minhas compõem o assombrado espaço vazio entre elas. E, ao contrário dela, sinto o peso de perguntas que já me fiz mil vezes desde nosso último encontro. Por que fiz aquilo? Faria tudo de novo?
Fui eu, veja bem, quem terminou tudo.
Nas árvores ao meu redor, as folhas estão apenas iniciando sua lenta mutação para o vermelho fogo, brilhando como o sol que espreita ao longe no horizonte. As aves gorjeiam para a alvorada, o ar está perfumado com aroma de pinho e terra, diferente da água salgada da minha cidade natal. De repente, a porta da frente se escancara e eu a vejo. Apesar da distância entre nós, prendo a respiração enquanto ela invade o dia. Ela se espreguiça antes de descer os degraus da entrada e dirigir-se para a lateral da casa. Savannah atravessa a porteira e segue em direção ao pasto à sua frente, que reluz como um oceano verde. Um cavalo a saúda, outro também, e meu primeiro pensamento é que Savannah parece pequena demais para se mover tão facilmente entre eles. Mas ela sempre ficou confortável em meio aos cavalos, e eles com ela. Uma meia dúzia de animais mordisca a grama ao pé da cerca, a maioria quarto de milha, e Midas, seu cavalo árabe negro com meias brancas, está apartado. Montei com ela uma vez, e com sorte não me feri. E, enquanto eu me agarrava com todas as minhas forças ao cavalo, lembro de pensar que ela ficava tão relaxada na sela, que era como se estivesse assistindo televisão. Savannah se detém um momento para cumprimentar Midas. Ela esfrega o nariz dele sussurrando algo e acaricia as ancas do cavalo, que fica de orelhas em pé quando ela se vira e parte para dentro do celeiro.
Ela desaparece e ressurge carregando dois baldes – aveia, acho. Pendura nas estacas, e um par de cavalos trota em sua direção. Savannah se afasta para dar passagem e observo seu cabelo esvoaçar na brisa. Ela pega a sela e a rédea. Enquanto Midas come, ela o prepara para cavalgar, e logo depois o conduz da pastagem para as trilhas na floresta, exatamente como fez seis anos atrás. Sei que não é verdade – eu a vi de perto no ano passado e notei as primeiras rugas surgindo ao redor dos olhos – mas o prisma pelo qual a vejo continua imutável. Para mim, ela sempre terá vinte e um anos e eu, vinte e três. Eu servia na Alemanha; ainda não tinha ido a Fallujah ou Bagdá, nem recebido a carta dela, que li na estação de trem em Samawah nas primeiras semanas de campanha; ainda não tinha voltado para casa por causa dos eventos que mudaram o rumo da minha vida.
Hoje, aos vinte e nove anos, às vezes me pergunto sobre as escolhas que fiz. O exército se tornou a única vida que conheço. Não sei se deveria estar arrependido ou satisfeito por isso; a maior parte do tempo oscilo, depende do dia. Quando as pessoas perguntam, digo que sou um peão, e é exatamente isso que quero dizer. Ainda vivo em uma base na Alemanha, tenho cerca de mil dólares de economias e não saio com uma mulher há anos. Não surfo como antes nos dias de licença. Nas folgas, dirijo minha Harley para o sul e para o norte, dependendo do meu humor. A Harley foi a melhor coisa que já comprei, embora lá custe uma fortuna. É ideal para mim desde que me tornei um tipo solitário. A maioria dos meus camaradas abandonou o serviço, mas eu provavelmente serei enviado de volta ao Iraque nos próximos meses. Pelo menos, esses são os rumores que circulam na base. Quando conheci Savannah Lynn Curtis – para mim, ela será sempre Savannah Lynn Curtis –, não poderia prever o rumo que minha vida tomaria, nem acreditava que faria carreira no exército.
Mas eu a conheci; e é isso que torna minha vida atual tão estranha. Eu me apaixonei por ela enquanto estávamos juntos, e me apaixonei ainda mais nos anos em que ficamos separados. Nossa história tem três partes: um começo, um meio e um fim. Embora seja assim que todas as histórias se desenrolam, ainda não consigo acreditar que a nossa não durará para sempre.
Reflito sobre essas coisas, e como sempre, nosso tempo juntos retorna à minha mente. Relembro como tudo começou, pois agora essas memórias são tudo o que me resta.

Te amo pra sempre!

Fonte:Trecho de Querido John, de Nicholas Sparks

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Escolhas e Consequências


 A vida é feita de escolhas, parece até slogan da Claro né, mas é a mais simples e pura verdade, tudo que somos e para onde iremos gira em torno das escolhas que fazemos todos os dias. Desde as mais simples como dar um sorriso, até as mais complicadas como que profissão seguir, as escolhas moldam a vida que vivemos. É muito fácil julgar quem não escolhe certo, ou do jeito que se julga ser correto sem estar na pele da pessoa que está com a dúvida em toda sua crueldade martelando sobre sua cabeça. Ok, não escolher, pode ser muito mais prejudicial do que fazer uma escolha errada, ser conivente por medo de errar torna sim as pessoas mais fracas mas quando se te a consciência de que as escolhas que iremos fazer podem ter resultados desastrosos fica muito difícil tomar a tão necessária decisão.

 Há como eu disse os que sofrem por não escolherem, muitos se privam por exemplo de se graduarem por ter medo de tomar a decisão errada, quando só conhecemos a força do monstro que nos assombra se escolhemos enfrentá-lo. O que escolher, como escolher, quais as consequências de cada escolha que fazemos em nossa vida são questões que geralmente levantamos antes de grandes mudanças, temos medo, ficamos aflitos ao saber que um passo muito importante precisa ser dado, questões essas que ganham maior dimensão quando precisamos escolher entre o certo e o certo, escolher entre o certo e o errado é muito óbvio, é preciso gostar muito de sofrer para enxergar a opção correta e preferir ficar estagnado na velha opção errada, ficar em dúvida entre duas opções corretas é o que mais assola os indecisos, muitas vezes podemos nos estrepar, claro pois afinal de contas, sempre existe uma saída que no fim trará melhores resultados, pior do que se estrepar, é escolher sabendo da possibilidade de fazer alguém sofrer com uma decisão que as vezes depende apenas de você.

 As pessoas boas que nos cercam algumas vezes, não têm culpá das nossas indecisões ou frustrações e também podem estar cada vez mais distantes dos nossos projetos de vida. Mudar pode vir com muitas lágrimas, mágoas, raiva entre outras marcas negativas, mas a mudança por si só é essencial para que alcancemos nossos objetivos e nos tornemos pessoas melhores, independente do furacão que pode representar na nossa vida e na vida de pessoas que nos cercam, e para mudar escolha sempre, mas escolha sem medo!

Escolhas na Vida – pensamentos Martin L. King


“Eu digo a vocês, esta manhã, que se você nunca encontrou algo tão caro e tão precioso que você morreria por isso, então você não está preparado para viver. Digamos que você possa ter 38 anos de idade, como eu.

Eis que, um dia, alguma grande oportunidade surge diante de você, e te convida a ficar de pé por algum grande princípio, alguma grande questão, alguma grande causa. E você se recusa a fazê-lo porque você está com medo. Você se recusa a fazê-lo porque você quer viver mais. Você está com medo de que você vai perder seu emprego, ou você tem medo de que você vai ser criticado ou que você vai perder sua popularidade, ou você está com medo de que alguém vai te esfaquear ou atirar em você ou jogar uma bomba em sua casa. Então você se recusa a assumir o posto.
Bem, você pode ir e viver até que você esteja com noventa anos, mas você está tão morto aos trinta e oito como você estará aos noventa.
É a cessação da respiração em sua vida.
É apenas o anúncio tardio de uma morte precoce do espírito. Morreste quando você se recusou a levantar-se para a direita. Você morreu quando você se recusou a levantar-se para a verdade. Morreste quando você se recusou a lutar pela justiça … “


- MLK Jr 1967

Fonte: http://atamamoriya.wordpress.com/2011/01/03/escolhas-na-vida-pensamentos-martin-l-king/

sábado, 11 de dezembro de 2010

Quando chega a hora de dizer chega!

"Vocês trocaram mensagens bobas pelo celular, dividiram brigadeiros de panela, assistiram TV juntos largados na poltrona e dormiram de conchinha. Foram, enfim, o centro da vida um do outro. Mas agora é cada um para o seu lado. E sempre fica um enorme ponto de interrogação: se era tão bom, por que acabou? Para entender, é preciso voltar no tempo e fazer um passeio pelas savanas africanas, 3 milhões de anos atrás. O homem caçava e protegia a família. A mulher cuidava dos filhotes. Mas, em determinado momento, os casais se separavam. O objetivo da família nuclear - nome técnico que os antropólogos dão ao conjunto de pai, mãe e filhos - era garantir que o homem ficasse por perto tempo suficiente para criar o filhote. Somente isso. Quando o filhote já estava crescidinho e não exigia atenção integral da mãe (que por isso podia voltar a se virar sozinha), o pai estava livre para ir embora e procurar outras fêmeas para procriar."(Trecho da matéria "Amor- O Fim" da revista Super Interessante, Edição 278 maio/2010)

 E quando chega a hora de dizer chega? É difícil e muitas vezes até impossível de se cogitar essa hipótese quando você ama alguém incondicionalmente, começos de namoros são um mar de rosas para quem os vive, mas o que de fato é um amor incondicional? Existe um amor que não tenha condição de existência, que não tenha limite a ponto de fazer com a pessoa que ama se anule? Quem se anula não conhece o verdadeiro significado do Amor, pois amar é saber dizer não quando preciso, e é também reconhecimento e esforço, é muito fácil amar dentro da casca do ovo, no conforto de uma relação que beira o limite da anulação, onde apenas um doa, apenas um se entrega, apenas um consegue ser flexível... a famosa relação do um e para que haja um relacionamento é preciso dois, o que seria então um namoro de apenas um? Amor ou dependência?

 De acordo com a teoria evolucionista só existe amor enquanto um "depende" do outro para alguma coisa, entendamos então dependência como a precisão positiva que temos do outro, quando no começo precisamos de um sorriso, de um gesto carinhoso, de um "te amo", ou apenas da presença da pessoa amada. Quando não precisamos mais do outro, porque ainda insistimos em manter algo que evidentemente, fará com pelo menos um se machuque? Se é tão evidente quando as coisas mudam,  e você já não é tão relevante na vida de alguém, não seria mais fácil acabar com tudo de forma amigável ao invés de persistir no erro? Minha mãe costuma dizer que coração é terra que ninguém toca, talvez isso explique o porque de persistimos em uma relação defasada, é mais do que apenas se acostumar a presença daquele alguém, e sim sentir necessidade de ser amado, e nunca estar sozinho.

 Tenho insistido que se você não consegue ser feliz sozinho, se você não é auto suficiente nunca será possível ser feliz ao lado de qualquer pessoa, pelo visto é mais difícil pregar o que se fala do que imaginamos. Mas admitir e reconhecer a dependência é o primeiro passo para a cura segundo a psicologia, ter então consciência de como uma relação esteja por um fio seja o passo anterior para que possamos em seguida rever os nossos conceitos e reatar com o verdadeiro amor que renunciamos para estar com outra pessoa... nós mesmos! Talvez seja hora do velho caçador perceber que não existe necessidade de continuar onde está e buscar novas tribos...

Facts sobre Amor

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