Quando se decide assumir uma identidade, deve-se estar preparado para adaptar a sua vida caso a sua identidade envolva seguir parâmetros fora dos estabelecidos pela sociedade, estou me referindo a se assumir enquanto gay pois é muito fácil viver uma vida baseada somente no agora e não se importar com o amanhã. O agora para quem é jovem é algo muitas vezes glorioso, peitar a família e a sociedade enquanto se tem 20 ou 30 anos é muito fácil já que estamos no auge de nossa beleza e saúde. Porém para um gay, o verdadeiro desafio começa com o passar dos anos. Nesse mundo existe a cultura do desapego, já que não existe filhos para manter um casamento ou uma imagem a ser quebrada com uma separação que impede muitos casais héteros de se separarem já que a sociedade, que ainda é muito preconceituosa, não espera nenhum futuro promissor de um casal gay, então não há imagem a ser mantida. Na minha opinião para os gays o maior desafio, não é manter as aparências mas sim quebrar esses conceitos que sempre foram disseminados, não estou dizendo que no mundo hétero não haja muita sujeira debaixo do tapete, mas um lado positivo dessa necessidade que casais héteros tem de manter um relacionamento, seja pelos filhos, por amor passional, ou por pura questão de aparências, pode ter um lado positivo, isso os força a enfrentar os problemas da vida a dois que sempre existirão. Sou contra qualquer tipo de anulação pessoal, violência física ou moral, machismo ou traição no casamento, mas acredito que quando ainda há algum sentimento e respeito mútuo os problemas devem ser superados a dois. No mundo gay, muito provavelmente pela liberdade associada a ele, não há esse hábito de solucionar os problemas a dois, e talvez a consequência disso só será percebida na velhice, e é aí que quero chegar, pois nessa faze é que as pessoas sofrem mais com a solidão, você pode ter tido uma vida profissional de sucesso, pode ter cultivado muitos amigos, pode ter juntado muito dinheiro, mas nada disso terá sentido se não houver uma pessoa que possa tomar conta de você e você dessa pessoa.
Peitar o mundo aos 20 quando tudo conspira a seu favor é muito fácil, se o companheiro se afasta, nessa faze muitas pessoas preferem encarar isso como justificativa pra uma boa escapada, se ele não quer mais o relacionamento essas pessoas não correm atrás porque aprenderam que a fila anda. A fila anda por um bom tempo, mas aí ela para, só então essas pessoas aprendem que tudo poderia ter sido evitado com um diálogo. Normalmente a pessoa que permanecer ao seu lado, quando sua pele já não for mais firme, seu sexo já não for o mesmo e seu corpo já não atrair os olhares de todos, essa sim será a pessoa que verdadeiramente te ama. Espero que o mundo gay um dia entenda que nem tudo na vida é apenas uma boa farra, e que amar significa ceder em muitos aspectos, até mesmo ignorando as próprias necessidades,no final tudo acaba fazendo sentido... e espero também que isso não seja percebido quando for tarde demais.
Acompanhe o depoimento do estudante Carlos sobre preconceito contra pessoas héteros...
Eu sou Carlos, tenho 23 anos e estudo economia. Eu não tenho preconceito contra heterossexuais, desde de que elas fiquem no canto delas, desde que não venham mexer comigo. Elas no canto delas e eu no meu! Eu acho assim... cada um faz o que quiser né!? Se elas quiserem ir lá " dá" pros caras, eu acho que ninguém tem nada haver com isso, isso é entre elas e os caras que querem pegar elas, então não vou fazer um julgamento disso. Uma vez eu tava numa boate, numa boate normal... não era nem uma boate hétero, aí veio uma mina e começou a jogar um papinho, aí eu " ihhhhhhh ta me estranhando???" Porque aí eu já acho meio invasivo, porque tem um monte de lugar que elas podem fazer isso com os caras delas. Quando eu falo com um amigo " Ahh seu hétero!" , não é pra ofender! É brincadeira, é tom de brincadeira mesmo, não tem esse tom pejorativo que as pessoas falam. Eu não me considero uma pessoa preconceituosa.
Segue o vídeo de onde foi extraído o trecho citado acima, os autores do vídeo deveriam ganhar um prêmio, pois retratam de forma muito criativa uma releitura sobre o preconceito, no vídeo é possível conferir também o relato de Camile , 22 anos, que mora no Vidigal (um bairro-favela da cidade do Rio de Janeiro)e não tem preconceito contra os cariocas da zona sul e também de Maria Clara, 36 anos, e trata pessoas brancas "como se fossem iguais".
Toda vez que algo foge do nosso padrão tendemos a olhar com estranheza, porque aprendemos que tudo tem uma regra certa, e que se algo não respeita essas regras , estamos lidando com algo fora dos padrões mas afinal de contas... esses padrões são nossos, e se tivermos aprendido errado? Quem estaria então deslocado das regras, se for analisado por esse ponto, existe uma possibilidade então de vivermos em uma sociedade de uma maioria enganada. Parece papo de estudante de filosofia, mas estranho é tudo aquilo que não respeita a perspectiva que aprendemos a enxergar, para quem assistiu "Planeta dos Macacos" pode perceber claramente que o protagonista da história passa todo o filme tentando fugir de um planeta colonizado por primatas, mas no fim ele se torna o primata da história, uma vez que estava novamente em minoria numa Terra também colonizada por macacos. Imagine uma inversão das coisas, se homens brancos fossem disputados por senhores feudais negros nos mercados escravos? Ou se vivêssemos em uma cultura não capitalista, onde o correto fosse não ter dinheiro, e se houvessem modelos gordinhas no desfile da Victoria's Secrets... Vivemos em uma cultura onde o normal é ensinado meus caros, a ordem natural das coisas do jeito que conhecemos não surgiu naturalmente, se todos abrirmos nossas mentes para o novo, iremos descobrir uma série de afinidades com o que olhamos com tanta estranheza, poderia ser você um estranho no meio da "minoria" brigando por igualdade.