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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Me machuco, te machucas, nos machucamos...


Quanto mais cresço mais me me aproximo do que não gostaria de ser
Mais eu busco em mim uma parte de mim que ignoro
Prefiro não perceber que existe para não me machucar ainda mais
Pois pior do que chorar a dor causada pelo outro 
É  incitar a dor  por nossas próprias atitudes. 

Permaneço inquieto com a incerteza do chão sobre os meus pés
Que não é tão firme como deveria ser. 
Choro a cada ferida causada
Mas dentro de mim existe um masoquismo que não apenas assiste
Como protagoniza cada golpe desferido.

Procuro no outro o que na verdade já existe em mim
E não me dou conta do quanto é difícil 
Assimilar um segundo universo
Que além de criar um vácuo no meu mundo em andamento
Prende as unhas no meu chão 
E me arrasta junto pros seus mares de incerteza.

 No fim de tudo, eu que olhava com olhares de menino
Agora sou quem desfere cada golpe de misericórdia. 
No fim de tudo, minhas lágrimas começam a formar uma nascente de dois
Mas percebo confuso que as mãos de quem implora clemência
São as mesmas de quem estanca o meu ferimento.

E já não sei quem é fera e quem é ferido
 Quem sofre e quem deleita, quem evita e quem procura. 
Um dia entenderei que somos os dois a mesma nascente
Que ora evade o sofrimento, ora busca e e se alimenta da sua força.




Sobrevivente.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Meu amor da infância.

Queria que seu amor fosse o meu amor de infância
Puro, ingênuo, sem as malícias que a vida nos ensinou a ter.

Queria que ao lembrar de você 
Nada além de doces e travessuras viesse a minha cabeça.

Queria ter um lápis já no fim do grafite
Pra desenhar seu nome no meu coração 
E dali você não sairia,
Cercado e protegido pelas linhas tortas 
Do meu amor verde-limão.

Queria te dar de presente um anel vindo em um caramelo
E te oferecer a lealdade de um melhor amigo.

Que seu estalinho em baixo do pé de goiaba
Fosse mais gostoso que doce-de-leite na colher
E mais intrigante que as pílulas de encolhimento do Chapolin.

Que as nossas brigas fossem mera questão
De decidir entre o ursinho Teddy e o gato malhado
Para ser nosso filho do meio.

O nosso amor deveria ser assim 
Intenso, sincero e malcriado
Como só duas crianças conseguem ser.

Diansley Raphael